Maria da Penha apanhou
Deixou de andar
Para o povo entender sua dor
Lutou por limites, tentando evitar
Que o amor vire fogo e o rancor
Venha então atear
A chama que mata não é bom calor
E me põe a chorar
Quantas vidas Marias deixaram de ser
De viver, de amar
Pra mudar é preciso doer
Uma dor que até pode matar?
Quem não sentiu na pele o ardor
Quem não estava lá
Viu queimar no peito o temor
De não saber como será
É preciso mudar agora
Deixe o mundo que é seu lá fora
Tanta gente bonita não vai viver a vida senhora
E o descaso não pode vigorar
E a ganância não pode machucar
Uma gente que só se reuniu pra festejar

*Infelizmente inspirado em http://oglobo.globo.com/pais/incendio-em-boate-deixa-mortos-feridos-em-santa-maria-no-rs-7407490 e http://pt.wikipedia.org/wiki/Maria_da_Penha

Se não faz voar
Faça aplaudir
Se não faz cantar
Faça achar o tom

Se não faz chover
Faça então sorrir
Deixa entrar o vento
Deixa fluir

Se o tempo corre
Faz movimentar
Vai vivendo a vida
Não a Deus dará

Dê um assobio
Para alguém te ouvir
Conte suas histórias
Mas sem inventar

Não faça ruído
Se quiser sair
Deixa a porta aberta
Pra facilitar
Quando voltar

Deixa a porta aberta
Pra facilitar
Quando voltar

Deixa a porta aberta
Pra facilitar

Ainda que o mundo vire de costas
Manca, espero encontrar respostas
Li num livro ainda cedo
Que não posso ver o essencial

Que dias melhores virão
Que não preciso apressar
Depois a pressa apressa
E então vou quero parar

E não dá pra insistir
Eu tenho que continuar
Pois o mundo consome
A energia que tenho pra gastar

Não adianta fugir
Melhor me entregar
E sorrir mesmo quando
Queria chorar

Uma orquestra toca em mim
Quando você está perto
Tive que aceitar o fim
Sem jeito, sem teto

A orquestra mora em mim
Sendo o amor tão incerto
Vou levando mesmo assim
Enfeito, desconverso

Deixa estar, vai passar
O brilho que você me deu
Há de voltar

Deixa ser, vou entender
Que o amor que você tinha
Acabou, foi embora

Agora eu vou crescer
Dar tempo ao tempo, avaliar
Se tive que te perder é pra poder
Lá na frente ganhar

Agora eu vou viver
Pedir pra dor me ensinar
E tentar te esquecer
Pra deixar um novo amor entrar

Lá nos confins de tudo que vivi achei você
E lá no fim existe um novo sim que eu quero ver

E vou buscar cada segundo
Cada beijo, cada respirar
Cada lastro, cada passo, cada trato
Pra eu lembrar de nós

E vou criar um recomeço
Desenhar com pena e nanquim
E mergulhar no rascunho de mim

Me imaginar um automóvel
Um barco a vela a navegar
Pra onde eu possa me encontrar
Sozinha… e recomeçar

Vem depravado
Vem destemido
Vem sem pensar em nada mais

Vem que eu te espero
A casa está aberta
Entra e me satisfaz

Eu tô te esperando
Eu tô ensaiando esse encontro
Faz tempo demais

O meu modelito ousado,
Eu arrisco,
Você vai gostar, rapaz

Então vem e me consome
Vem ser o homem que toda mulher quer
Vem e troca teu nome
Por um codinome charmoso qualquer

Então vem matar essa fome
Escancara a certeza de que malmequer
Desliga o telefone
E derrama teu ópio por onde quiser

Com você eu sou um misto de euforia com saudade
O casamento perfeito do respeito com a maldade
És a válvula de escape que consegue me prender

Com você meu pensamento viaja com vontade
Eu me perco na estrada pra contar as novidades
E olhar bem nos teus olhos ao declarar o meu amor

E o tempo que não tenho os teus lábios não me espanta
Pois se tenho, crio meios de matar a sede tanta
E reservo uma parte pra eu lembrar de não esquecer

Você é uma grata surpresa nessa minha jovem vida
O amor em matéria, felicidade desmedida
Um sopro de virtudes que o vento veio trazer

Se eu te digo a todo instante o que sinto não se importe
As palavras que me saem, de verdade, são mais fortes
E eu não vou digladiar com o que diz meu coração

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